.:RETRATOS:.
Retrato de quem? Retrato meu(!)(?) Retrato seu(?)(!)Retrato daquilo ou daquilo outro. Forma de olhar. Não formar um olhar. Retrato em forma de imagens ou palavras.
22/02/2012
20/01/2012
Um grito, um ai...e um arrepio n'alma
16/11/2011
Atravessar a rua ou não. Ou sorrir e ir
27/10/2011
Os dois na minha paisagem

06/10/2011
Manual de etiqueta no cinema ou "Boas maneiras para o bem coletivo no cinema:
Dica 2: Já não ficou claro que TODOS os celulares tem a função 'silencioso' e ela é para ser ativada durante a sessão de cinema, teatro etc? Pelo amor do pai! Atender telefone no meio do filme e dizer baixinho como se ninguém estivesse percebendo, não dá! "Não, posso falar sim. Diz!". Médicos e urgências são outro assunto. Mas acho que 1% de uma sala seja indispensável.
Dica 3: Conversar durante o filme. Péssimo! Um comentário aqui outro acolá não faz tão mal, mas de vez em NUNCA, né?! E quando em uma cena mais tensa, onde todos nós, no nosso âmago imaginamos que algo poderá acontecer nos próximos segundos (e isso diz respeito somente a nós mesmos e à nossa expectativa), externalizá-la com um “ixi”, “nó”, “iii” ou qualquer suspiro do tipo, é chato. Inconveniente!
Dica 4: Quase uma repetição da dica 1, mas vale-se pelo diferencial do barulho. Abrir pacotinho de bala, barrinha de cereal, chicletes, bombom. Pra quê? O bafo de fome naquele momento não vai incomodar mais que o tal barulho. Curar nervosismo de outros jeitos (ou fome) em outros momentos não é uma sugestão descabida. Não se morre por esperar algumas horinhas para se deliciar com alguma guloseima.
Dica 5: Beijar. Não foi não é e nunca será ruim. Mas se agarrar na sala do cinema freneticamente...humm...bola fora também, né? Demonstrações de carinhos são bem vindas e apreciáveis. Excessos são dispensáveis NESTE momento. Seja qual for o gênero do filme.
Essa partilha de opiniões é mais que um discurso de achismos. Ter bom senso é muito bem vindo e é muito ruim achar chato viver em coletivo, porque esse coletivo vive um individualismo sem tamanho. Atitudes como essa que já vi/ouvi (e tem mais casos aterrorizantes na lista) e imagino que muitos tenham passado algo parecido, me fazem ter desânimo de ir ao cinema, que é uma das coisas mais legais que existe.
23/08/2011
Com choro e vela
15/06/2011
“Minha irmã,
não perca de vista o seu ponto de partida. Conserve o que você tem; faça o que está fazendo e não o deixe. Em rápida corrida, confiante e alegre, avance com cuidado, com passo ligeiro e pés seguros, de modo que seus passos nem recolham a poeira. Não consinta com nada que queira afastá-la nesse propósito, ou que seja tropeço no caminho”.
(2ª Carta de Santa Clara de Assis a Santa Inês de Praga).
01/06/2011
Buenos Aires, 05 de junho de 2011
Buenos Aires, 5 de junho de 2011.
é...um mês de vida em Buenos Aires. E definitivamente passa rápido. A rotina já me consome 65% do meu dia. As aulas de mestrado já não espantam tanto como na primeira semana. Um amigo aqui, outro acolá, discutindo sobre as aulas e a vida no café ao lado. O curso de espanhol segue de vento em polpa. Colegas queridos, professoras ótimas. E diariamente, sete dias por semana, vinte e quatro horas por dia, tenho aprendido a viver em Buenos Aires. Minhas “aulas” com os amigos daqui deixam minhas professoras de cabelo em pé.
A vida aqui é de aventura delicada. Arriscar é mudar o passo, equilibrar o peso das coisas, arriscar falar um pouco mais a cada dia, andar, se perder e encontrar. Dançar certo num dia e aquietar-se no outro.
O frio continua (ontem a noite era de 6 graus), mas meu corpo parece ter se acostumado um pouco. Já não me "mata", nem me prende em casa. Consigo enfrentar as ruas. Cada dia é um passinho diferente...para o novo. Ando por outras calçadas, arrisco novos trajetos e descubro mais uma coisa nova. Já tenho o melhor lugar para comer empadas, já elegi meu restaurante diário e meu supermercado predileto. A busca por uma casa permanece firme e forte. Não é tão fácil como pensava, e talvez, mais difícil como haviam me dito quem por aqui passou. Mas vamo que vamo e em breve acontecerá.
Comemorei com os Argentinos, talvez a data mais especial para eles: o 25 de Maio. Foi nessa data que em 1810, os argentinos botaram para correr os espanhóis. Talvez essa seja a festa mais importante para eles. A avenida de Mayo é a mais enfeitada. Toda a cidade e muitos carros estão com suas bandeiras, as pessoas com os broches e por aí vai. Meu primeiro feriado na terra de San Martin. Um grande show aconteceu na Praza de Mayo e um público gigante ficou até meia-noite, num frio, aproveitando a comemoração. Locro, pastelitos são alguns dos comes tradicionais do dia. Todos só falam nisso. Locro é algo como um guisado. E pastelito, é um doce tipico. Porém, só vi nesse dia mesmo. Foi interessante ver esse tipo de celebração. Nunca tinha visto isso na vida. Faixas e mais faixas, muitos uruguaios também, enfim, o país em festa.
Nesse um mês também recebi minha primeira visita - Patrícia e Rosalva vieram e foi lindo! Batemos perna até e encontramos curiosamente com um mineiro na sorveteria, e depois no cemitério da Recoleta e depois da Praça das Nações Unidas. Por aqui, já encontrei também amigos de amigos de BH, ainda não conheci Valeria e Norma pessoalmente, conheci Lara, mais uma baiana (mais uma, porque no meu curso de espanhol, tem mais dois)por aqui e que, claro, temos pelos menos meia dúzia de pessoas em comum, que essas, por sua vez, estão espalhadas no mundo também.
Os casos (ora, cômicos) se multiplicam todos os dias. Ontem, por exemplo, um tanto de coisa escorregou das minhas mãos e o lugar que estava com um tanto de gringo, ninguém me ajudou. E nessa hora, gritei em português “Ah que bom que todo ajuda!”. Nesse momento, todos se levantaram e começaram a catar minhas coisas caídas. Obvio que minha cara foi no chão, ri (por dentro) e vi que o português ou minha ira pode ser universal. E outro caso, mais sério é: quando vierem para cá, não digam cajetas (achando que estão falando o diminutivo de caixas), acabô (quando quiser que algo terminou) e tampouco chame uma mulher de gata. Ah, e não pergunte onde está uma concha para pegar lentilhas ou o guisado. E meninas, saibam o que é um xamuchero (chamuyero).
Voltando. Ando levando mesmo uma vida portenha. Essa semana, por exemplo, fui ao hospital sozinha. Meu pé que deu uma zicada, foi levado ao médico para fazer uma consulta. Lá vamos nós. Deu pra conversar com o médico – meio sério no inicio. Fiz uma radiografia e o resultado: ligamentos ainda continuam fracos e de tanto eu andar e correr. Por isso algumas dorzinhas e a falta de firmeza. O frio e a umidade "agravam" a sensação de que ele pedia ajuda. Enfim, um antiinflamatório e uma bota ortopédica para imobilizar o dito cujo. Três semanas. Quase morri. Os olhos encheram d'água. “Não é possível. Como vou ficar andando com essa bota, tendo tanta coisa para fazer, casa para procurar, aulas para ir, escadas para subir, metrô para pegar?”, era só o que pensava. Mas por fim me acalmei. Tudo vai ficar bem. Dá para continuar minha vida normal. E a bota é para isso mesmo, o pé fica imobilizado, enquanto faço as coisas. E ainda bem que descobri a tempo, antes que virasse o pé mais uma dezena de vezes igual vinha acontecendo. Buenas, obrigada, Vida, mais uma vez. E uma das mágicas que acontecem nesse lugar. A bota aqui custa uma fortuna: 450 Pesos. Sebastian, o anjo, e que trabalha aqui, sabendo do meu caso, ligou para o irmão dele que trabalha com produtos ortopédicos. Conclusão: me emprestou a bota. E cá estou com meu novo acessório. E no fundo foi importante ter passado por essa lenga-lenga de hospital (sem gravidade) e me virar em outra língua. rs...
Os portenhos me surpreendem a cada dia. Amáveis na maioria do tempo. Já contei que um aqui já me apelidou de Tango? Porque me acha dramática. rs...vê se pode?! Eu me pergunto: como? Eles são os mais, os Reis.
Meu castelhano vai indo bem. Já começo a contar os causos em espanhol. E todos entendem. Coisas pequerninas, piadinhas, jeitos, e eles entendem. Dia desses fui explicar para o povo aqui a brincadeira que tinha no programa do Sérgio Malandro – em que a pessoa/criança, em uma cabine gritava sim ou não, em troca de um prêmio bom ou ruim. Hahaha.
Não, não vou escrever em castelhano. Vamos nos ater a língua que nos é comum. Se por um lado estou indo bem com a língua hispânica, com as dos ianques nem tanto. O mínimo de inglês que sabia, hoje falo igual ao Tarzan. Não sei nada, não lembro o passado de "speak". rs...uma maravilha. Meu cérebro só capta um idioma por vez. Não me peça para falar três línguas de uma vez. Ou seja, o albergue para mim é literalmente uma Torre de Babel. Well, me despeço por aqui. Au revoir!
15/05/2011
14/05/2011
Buenos Aires - Musical
Buenos Aires, 14 de maio de 2011.
Buenos Aires, 14 de maio de 2011.
Começando a me apaixonar por Buenos Aires. Paixões não são mais tão imediatas nem tão efêmeras para mim. E assim, como uma situação de ser e estar, encontro-me no maior dos gerundios – estou me apaixonando por essa cidade. A cada caminhada uma descoberta. Hoje criei coragem – todo dia tenho tomado uma dose para sair nesse frio. As manhãs têm sido de 16 graus e as noites, mais ou menos, 8. Eu, que amo calor, sol, e que não gosto de usar muita roupa, estou aprendendo a gostar. Tenho que.
Fui almoçar e decidi procurar a exposição La Torre de Babel de Livros. Já havia passado pela Praça San Martín, mas não tinha adentrado. Faça-o quando vier aqui. É simplesmente linda. Muito grande, cheia de árvores, bancos. E é lá que a artista argentina Marta Minujín construiu a torre com mais de 20 mil livros. Embora seja á céu aberto, é preciso marcar um turno – como dizem aqui, para visitar. Magnifica a estrutura. Feita com uma doação feita principlamente pelas Emabaixadas e outra parte pela população, a instalação é uma comemoracão pelo título que Buenos Aires tem de Capital do Livro em 2011.
Buenos Aires e a acolhida
Chegando em “casa” hoje, Sebastián me pergunta como foi o dia. Eu respondo que foi bom, mas que ainda não encontrara casa para morar. E ele responde: “Fue bueno, más estoy en casa”. Anima-se, Maria.
Buenos Aires, 13 de maio de 2011.
Agora sete dias completos aqui. A melancolia chega. Pensando: O que estou fazendo aqui? Vejo um e-mail sobre as coisas mais lindas que minha mãe escreve, meu irmão contando as novidades...lembro que esse é mais um dia de muitos que hão de chegar. Me despeço mais uma vez. Giovana voltou para o Brasil e volto a ser minha companhia mais constante. Desci para conversar com Pablo, ou Pablito, agora. Falamos sobre saudade – tenho ensinado muito essa palavra aqui, realmente a palavra mais linda que temos. Converso muito com os meninos que trabalham no hostel, são as pessoas mais próximas que tenho aqui e o carinho é de amigo, familia mesmo. Falamos de música, Brasil, Argentina e vida. Um beijo no rosto de bom dia ou boa noite. Hoje pela manhã, Pablito estendeu a mão e me deu o ombro. “Quando se sentir sozinha, venha para cá e não se sentirá mais. Estamos aqui sempre.” Do sentimento pulsante quase cortante, fez-se o alento, todo o carinho.
Voltando...antes de Giovana ir embora..
A noite, fui ao lugar, talvez o mais legal daqui até agora. Boliche de Roberto. Fica no bairro de Almagro, un poquito lejo de onde estou vivendo. Mas valeu cada minuto da espera do ônibus. As companhias eram Giovana e Mike, o autraliano, músico. Aceitaram a minha sugestão que foi dada na verdade por meu irmão e lá fomos. Uma observação: dentro do ônibus, eu achando que estava falando como uma porteña, um grupo de amigos que estavam tocando dentro do coletivo, começaram a cantar Garata de Ipanema...e me dedicaram. hahaha...meu português era obvio. O Boliche do Roberto. Um lugar muito pequeno, cheio de gente, umas três ou quatro mesas e um mini palco. Prateleiras até o teto já bem velhas, hospedam garrafas mais antigas ainda, empoeiradas. Desde o príncipio um lugar familiar para mim – cara de bar mesmo, desses que escondem na Belo Horizonte ou como a Bodeguita del Medío em Havana. Até então nem sinal de tango. Todo mundo muito espremido. 90% homem, fazendo parecer um jogo de futebol – álias passava um jogo na tv. Mas eis que chega o cantante acompanhado de um homem e seu violao. E foi assim que se fez a noite. O senhor de uns 60 anos soltou um tango de esmagar o coração. Lindo. Emocionante e mais tudo que não sou capaz de descrever agora. Não se ouvia um respiro do público. Hipnotizados ficamos. Todos, eu disse todos, estavam com caras de contemplação. Cada milonga mais maravilhosa que a outra, entoada da forma mais pura e sincera que já vi. Quando ele cantou Por una cabeza todo mundo cantou junto…sussurando. Eu volto lá toda quinta-feira sem o menor problema. Praticamente decidí que lá será meu porto musical aqui. Uma cerveja mais e fechamos a conta.
Buenos Aires, 12 de maio de 2011.
Buenos Aires, 12 de maio de 2011.
Madrugada de quarta-feira. Chegando ao sétimo dia na capital Argentina. Tempo curto, mas desde quando mede-se a saudade e o sentimento entrelaçado de uma vida? Não, não se mede, não pesa, não se define. Enfim, hoje foi um dia de chorar, de sentir falta dos meus, de ler um ponto e o coração apertar. Enfim, sem fortalezas, encontro-me no “meio do mundo” sem estar sozinha. Impossível estar. Mais um dia, mais uma manhã linda, mais de vários dias que virão.
O plano é conhecer Buenos Aires calmamente. Imagino que quando eu pequeninha e começava a andar e a falar, o medo e a exitação foram sentimentos/sentidos presente. Acho que é mais ou menos como me sinto agora.
Ontem fui desbravar o bairro Recoleta. Desbravar é muita pretensão, já que não foram passos tão longinguos. De qualquer forma já deu para vislumbrar o que é. E é lindo. Praças enormes, muito verde, muitas construções maravilhosas. Não me acanho em adjetivar tanto agora. Quando você dá de cara com o prédio da faculdade de Direito e Ciências Sociais faz os olhos encherem de brilho. Quase Grécia (que incrível eu comparar com lugares que nunca fui, pero a televisão, filmes, livros, fotos, estão aí para isso mesmo, né?!). Ao lado do prédio está o Parque das Nações Unidas. Uma flor de metal imensa – imensa mesmo, está ao meio. Uma flor que se movimenta. Abre às 8h da manhã e fecha as “pétalas” ao anoitecer. Cada passo é uma história. Uma memória. A lembrança dos anos de ditaduta military Argentina estão em todo lugar. Mais a frente, o Museu Nacional de Bellas Artes. Lá a gente fica arrepiado mesmo. Fiquei pensando se estaria sendo blasé ao ficar falando sobre uma ida ao museu. Mas não me achem assim. É de se perder esse passeio. De entregar mesmo. Fui e quero ir de novo e sempre. No Cemitério que leva o mesmo nome do bairro é outra parada interessante. Minha amiga relutou em ir, dizia ser um passeio lugrube. Eu não achava isso e continuo não achando. Nada de ficar pensando em fantasmas. Morte é parte da vida. Mas esse passeio é ir além desses conceitos. É bonito. Ao passar pelos jazigos, vi o quanto de filho da puta está lá. Mas esse assunto são outros quinhetos. Vale a observação: quanta’s boates e “nihgts clubs” tem em frente ao cemitério. Fica a dica de quem quiser fazer uma análise sobre o caso, caso não, tudo bem, só uma observacão mesmo. Rs.
Buenos Aires, 09 de maio de 2011.
Buenos Aires, 09 de maio de 2011.
Quinto dia desde que cheguei. Cada uma das impressões que tive até agora não servem ainda para definir o que é morar na capital da Argentina. Ainda mais que tenho vivido em um albergue, mais Torre de Babel não há. Nesse pouco tempo, várias coisas me chamam a atenção, sejam supérfulas ou não. Nunca fui à Europa, mas pelo meu imaginário, acredito que se parecem, não só pelo frio que tem feito, mas por toda arquitetura e pelas pessoas. Ainda que muitos transeuntes tenham feições bem indiginas.
Bom, cheguei exatamente no dia 5 de maio, após muito choro e despedidas carinhosas no Brasil. Todo esse sentimento conseguiu - e está conseguindo sustentar meus passos por aqui. Na noite da quinta-feira passada, ao chegar no albergue, uma brasileira adentrava também a porta. Incrivel conscidência. Giovana veio passar ferias de uma semana em Buenos Aires. A simpatia foi de cara e desde então ela tem sido uma companheira nos dias portenhos. Ouso dizer, que dias esses, sem farras. Com um pé machucado como o meu, decidi me cuidar e poupar nas andanças. Afinal, tem dois anos pela frente. Voltando a primeira noite…A fome era grande e sem que eu me desse conta, minhas opções de comida mudaram drasticamente. Para começar duas empanadas e um vinho. Delicioso. Claro que fiquei um pouco alta, pois uma pessoa com frio e fome está suscétivel ao alcool. *Ao voltar para a casa, acendi um cigarro de palha e um gurada muito simpatico me parou e disse: “Senhorita, não pode fumar esse tipo de cigarro na rua, ok?”. Eu na mesma simpátia (quase abracei o moço) respondi que não era o que ele estava pensando e descrevi o produto fabricado na região onde vivo no Brasil. Me senti quase uma camponesa. Ele foi mais simpatico ainda. Só não oferecí para ele fumar, pois pra quê brincar com a sorte, né?!
Primeiro café da manhã, experimentei as tais Medialunas. Algo parecido com os nossos croissants, porem doces. Ao quinto dia confesso já está enjoada. Enfim, vamos continuar. Peguei meu mapa e fui resolver as últimas coisas para começar as aulas do mestrado. Conheci Callito, o bairro onde fica a sede da Filo - Faculdade de Filosia e Letras da UBA (universidade de Buenos Aires). Alguém conhece o prédio da Fafich em Belo Horizonte? Então, é muito parecido, na verdade mais parecido com sede do DCE, porem bem maior. Sim, mil cartazes de movimentos estudantis pregados, o pessoal bem despojado no patio central…enfim. Só um retrato mesmo. Resolvi boa parte das minhas coisas tranquilamente. Que alivio e felicidade. Tentei já resolver a parte da aula de espanhol por lá também, mas soube que sera em outra sede da Filo. Lá vou eu transitar por bairros. Seja o que Deus quiser. Depois fui conhecer o metrô e suas estações bem diferentes do que eu já vi. Fui ao bairro de judeus – Once e quase consegui um emprego na loja Havana – para quem não conhece, é uma marca importante de alfajor e café da Argentina. Numa conversa o dono perguntou se eu me interessava em trabalhar lá. Que simpatia. Falei que ligava, mas com meu horário de aulas, fica impossivél.
Ao terceiro dia resolvi colocar os pés para cima. Ainda muito inchado, tirei o tempo do sábado para cuidar do pobrezinho. Arnica pra lá, arnica pra cá, enfaixado. Ajudou e muito. A noite resolvi aceitar o convite de uma amiga de uma amiga de minha mãe para jantar. Havia conversado com a Marta Luñeda somente por e-mail. Parecia muito entusiasma em me conehcer e me chamou para jantar em sua casa, em que chamaria outras de suas amigas. Lá fui eu levando uma garrafa de vinho. Eis que chego ao destino e conheço Marta. Figura excêntrica, quase louca (no bom sentido). A senhora estava com mais três amigos em seu apartamento. Cuba foi o primeiro assunto. Meus Deus, que difícil organizar tantas ideias diferentes em espanhol. O que era para ser um abre alas, foi uma discussão calorosa entre os convidados. Apaziguada, deu-se início a minha sabatinada. Uma traulitada atrás da outra. Dessas que dá vontade de voltar pra casa e desistir de tudo. Mas, bem, esse era o terceiro dia, não podia esmurecer tão cedo. Sabendo que essa talvez fosse a primeira de várias nesses dois anos, resolvi enfrentar. “Não, não falo tão bem espanhol, mas fazendo aula, tudo pode melhorar”, “Não conheço esse filme, mas tem um maravilhoso de tal pessoa”, e rios e mais risos. Por fim, deram um tempo na pressão pscicológica e desencanei. Comi, bebi, conversei, fiquei muda, pensativa, ri mais um pouco e fui embora. No fim, salvaram-se todos. Marta me levou à porta e foi um doce. Hastal luego, Martinha!
Ainda que frio, muito frio nesses dois últimos dias, as manhãs estão lindas. Céu azul de fazer chorar de tão bonito. Fui turistar. Conhecí a Casa Rosada, sede da presidencia. O primeiro andar já valeu o passeio. Uma exposição permanente “Os Patriotas da América Latina”. Muita história. De emocionar passar por cada uma das pessoas que ali estavam. Dom Oscar Romero, Che Guevara, Evita Peron e o maridón, Pancho Villa etc. A sensação é de pertencimento real na América Latina. E uma frustração de como nos conhecemos tão pouco. E felicidade por ver tanta criança lá com os pais e acompanhando animado o passeio.
Depois atravesse a rua e fui a Feira de San Telmo. Achei parecido com todas as feiras de artesanato que já fui. Vale o passeio, mas não me surpreendeu demais. Foi dia de jogo do Boca. Vi os primeiro tocedores de longe. Vi não, ouvi. Bombas, gritarias, quase um Maio de 68. Isso antes de começar o jogo. O Boca ganhou, imagina como foi.
De lá fui ao bairro de Palermo de metrô. (Como funciona e te leva para todos os lugares!!!). Lindo bairro, bom passeio. Vi um grupo (!!!) de percussão chamado Bondi. Me perdi na rua Santa Fé – literalmente. Ao fim, encontrei o qu precisava encontrar e cheguei sã e salva. Fim do dia, morrí um pouco – de frio e cansaço. Meu pé, agradece.
Devo dizer que meu espanhol chegou lindo, mas com cinco dias em Buenos Aires vejo que é horrendo. Nada tem a ver com o espanhol que arranhava em Cuba. POr que, meu Deus, uma palavra como ayer é pronunciada, achêr? Por que mayo é dito maxô? E se você fala como se escreve, é como se estivesse falando Esperanto ou Mandarim. Não entendem.
Nesse quinto dia, andei a Calle Florida inteira. Quanto brasileiro. O pessoal deve tá rico, só pode, pois Buenos Aires não é tão barato como dizem. E mais um dia sem cellular e sem casa. Mas com a incrição da aula de espanhol feita e uma nova colega de classe. Pegue vários endereços de restaurantes vegetarianos e lojas de produtos naturais. Obrigada! Hahaha. E uma das melhores coisas dos dias: conversar com meus coleguinhas que trabalham no albergue. Na nossa última rodinha conversamos sobre Pescado Rapioso (Spineta) – obrigada Argentina, obrigada irmão! E eles tocam Caetano Veloso todos os dias. Sebastián cantou e tocou Cajuína inteira. Uma graça!
14/03/2011
Tipo!
Chorar, sorrir também e depois dançar, na chuva quando a chuva vem..."*
*Marcelo Jeneci/Chico Cesar
18/12/2010
Hindi Zahra
29/11/2010
Lá se vai mais um...
...mais uns trezentos e sessenta e cinco dias. Para mim é cada vez mais impossível falar dos dias sem agradecê-los, lembrá-los como forma de fixar um sentimento latente e um sabor de SER. Dividir 24h do dia com alguém que lê, foi vivenciar uma cor, um gosto, um afago. Alguma vez algumas horas de um dia qualquer transformou-se em fogo. ou suspiro terno. Foi (ou é?) tempo de ver passos, ouvir o tic-tac bem lá de longe. E cá estamos, adentrando em mais um mar...parte de um oceano nosso...mais uma vez. 2010 começou em outras terras, com tantas línguas diferentes, em uníssono desejo de alegria. Era tanto coração, eram tantos corações eram tantas coisas. Foram tantas histórias...e estou aqui mais uma vez com ele, o coração, na mão, com algum batendo na garganta. Sem verbo exato. Dessas outras terras onde não me senti tão forasteira, foi possível VER a vibração. Dessa, seguiu-se o tempo. Fez-se um presente musicável. Fez-se mil presentes. E com mais um "Que seja..." vem todo o querer que os próximos trezentos e tantos dias, sejam presentes. E que neles, ou em alguns deles, estejamos. Que seja de afagos, sabores e claro...doce e leve! Que venha!



