7 de jun de 2007

Mar, adentre

Dias atrás, me deparei com duas notícias que por alguns motivos me chamaram atenção. A primeiro foi que a NASA encontrou evidências de que existe um mar em Titã, maior lua de Saturno. A segunda foi uma enorme faixa de poeira em uma das luas de Júpiter, Io. Cada vez mais recorrentes, notícias sobre o espaço, planetas, morte de estrelas, explosões solares, são capas de jornais, nos fazendo refletir sobre o fato de não estarmos sozinhos, e de estarmos cada vez mais próximos dessa “novidade antiga”, que são os fenômenos e as fantásticas peculiaridades da galáxia. Sempre acreditei que não estávamos sós. Muita pretensão achar que, nós terráqueos, somos os únicos. Enfim, as sondas da NASA conseguiram fotos sensacionais dos respectivos planetas e a comunidade científica mais uma vez explode de felicidade. Afinal, foram mais de 10 anos de investimento e intensas pesquisas. Mas há algo que realmente me leva a pensar sobre a sincronia dessas informações: não é a primeira vez que Júpiter e Saturno são vistos juntos.

Caio Fernando Abreu já havia falado dos dois planetas. No conto intitulado “O dia em que Júpiter encontrou Saturno”, o escritor descreve um encontro, no qual o diálogo é o principal atrativo. Entre bizarrices e delírios, o conto é extremamente audacioso e envolvente... uma das manias de Caio Fernando. Para os astrólogos, os planetas exercem uma forte influência sobre nós. Saturno, por exemplo, é responsável pelas mudanças. Já Júpiter representa a expansividade. Há um pouco disso mesmo acontecendo no mundo. É evidente que as mudanças são inerentes, mas não sei até onde está acontecendo a tal expansividade. Cada dia mais, vemos o indivualismo tomando conta, as pessoas se fechando em cápsulas, protengendo-se delas mesmo. Entre grades e cercas elétricas, efeitos da “ultra modernidade” infernal, instalada nas sociedades, os cacos de vidro espalhados nos nossos atos, afastam qualquer possibilidade de troca, de envolvimento. E por que não se envolver? Por que não deixar ser o outro também? Talvez as mudanças precisem disso pra se fazer ser entendidas, e sem sustos.

Hummm, tá aí a explicação para a poeira em Júpiter. Embaçaram a expansividade. A poeira dá alergia, não pode ser varrida para debaixo do tapete. Limpar, deixar fluir se faz necessário. Deixemos a mudança acontecer. Que nos seja dada a possibilidade de sermos nós mesmos. Que possamos ter encontros, sem medo. É mar de gente, é poeira cósmica. É a vontade dos cosmos, são todos ‘esses’ nos ensinando que é bom se envolver e ser.

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