3 de out de 2010

1984 - 2010

Nasci em 1984. E desde então toda eleição era festa, expectativa, celebração. Em minha casa às vésperas das eleições se transformava em QG de militantes, amigos de meus pais, nos ensinando desde cedo o que era partilha, comunhão e fraternidade. Nos meses que antecediam outubro, faziam campanhas, bandeiradas, encontros estratégicos. E lá estávamos nós, vestidos de vermelho e aprendendo que a vida é feita de perseverança, luta, amor a uma causa e respeito. Muitas noites não tinham babá para ficar comigo e meu irmão e lá íamos nós, pequeninos militantes ao encontro dos demais companheiros de meu pai e minha mãe e outros filhos. Não me recordo de ter reclamado dessa vida de lá e cá. Para mim e imagino que para meu irmão também, era uma festa. Tenho uma lembrança muito terna dessa época. Quando tinham comícios então nem se fala. Era pura emoção ir à Praça da Rodoviária ou Praça da Estação assistir aos primeiros comícios do Lula.

Todo dia de eleição era de encontros ansiosos, amigos acompanhando as apurações das urnas de papel. Um dia inteiro dedicado àquele momento. Era também frustração, mas uma alegria imensa ver tamanho engajamento. E foi com este tal barbudo que me emocionei várias vezes. Foi ele quem me carregou nos braços e foi com ele que entendi o que era o SER humano e político. Foi desse “berço” que construí sonhos, aprendi história, a falar firme e acreditar nas convicções de um mundo melhor. Sei que o partido que minha mãe foi uma das fundadoras, errou, fez bobagens e hoje precisa sim rever várias questões. Mas foi nesse partido que com muita alegria conheci pessoas de grandeza humana e foi por ele que vi meu país mudar. E quero que continue sendo ele à frente dessa transformação.

Certamente um dos dias mais emocionantes da minha vida foi o 27 de outubro de 2002. Ir à Avenida Afonso Pena e encontrar com meu pai, minha mãe, meu irmão, amigos de nascimento e uma multidão. E eu enrolada num baiderão vermelho, ver e ouvir o nosso novo presidente dizer que a esperança venceu o medo e ser abraçada por um senhor de cabelos brancos que nunca vi na vida, que chorava de alegria.

Por isso, pelos meus 26 anos, que eu sigo o Lula e sua graça. Pela mudança que eu vi e experienciei acontecer na vida de tanta gente…tanta gente, que hoje voto na continuidade da esperança. Nunca o Brasil foi tão soberano, forte em diversas áreas, forte para os outros. Não houve USA que tentasse invadir território. Nunca estivemos tão próximos dos nossos países vizinhos e nos fortalecendo juntos. Há muita coisa ainda por fazer e por isso mesmo que a escolha já está feita. Continuar mudando para o bem. Talvez eu não tenha mais aquela mesma emoção dos encontros, das bandeiras, dos choros e alegrias da rua.

Mas certamente meu coração se alegra em viver e ver mudança e sentir mais justiça e dignidade na vida de brasileiros, muitos esquecidos. É disso que quero lembrar e viver. O tal mundo melhor continua sendo construído e definitivamente ele é responsabilidade minha e de todo mundo que está por aqui. Sem pensar no próprio umbigo nós vamos. É valor repassado e transgressor.

3 de outubro de 2010. Eleição primeiro turno.






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