Buenos Aires, 13 de maio de 2011.
Agora sete dias completos aqui. A melancolia chega. Pensando: O que estou fazendo aqui? Vejo um e-mail sobre as coisas mais lindas que minha mãe escreve, meu irmão contando as novidades...lembro que esse é mais um dia de muitos que hão de chegar. Me despeço mais uma vez. Giovana voltou para o Brasil e volto a ser minha companhia mais constante. Desci para conversar com Pablo, ou Pablito, agora. Falamos sobre saudade – tenho ensinado muito essa palavra aqui, realmente a palavra mais linda que temos. Converso muito com os meninos que trabalham no hostel, são as pessoas mais próximas que tenho aqui e o carinho é de amigo, familia mesmo. Falamos de música, Brasil, Argentina e vida. Um beijo no rosto de bom dia ou boa noite. Hoje pela manhã, Pablito estendeu a mão e me deu o ombro. “Quando se sentir sozinha, venha para cá e não se sentirá mais. Estamos aqui sempre.” Do sentimento pulsante quase cortante, fez-se o alento, todo o carinho.
Voltando...antes de Giovana ir embora..
A noite, fui ao lugar, talvez o mais legal daqui até agora. Boliche de Roberto. Fica no bairro de Almagro, un poquito lejo de onde estou vivendo. Mas valeu cada minuto da espera do ônibus. As companhias eram Giovana e Mike, o autraliano, músico. Aceitaram a minha sugestão que foi dada na verdade por meu irmão e lá fomos. Uma observação: dentro do ônibus, eu achando que estava falando como uma porteña, um grupo de amigos que estavam tocando dentro do coletivo, começaram a cantar Garata de Ipanema...e me dedicaram. hahaha...meu português era obvio. O Boliche do Roberto. Um lugar muito pequeno, cheio de gente, umas três ou quatro mesas e um mini palco. Prateleiras até o teto já bem velhas, hospedam garrafas mais antigas ainda, empoeiradas. Desde o príncipio um lugar familiar para mim – cara de bar mesmo, desses que escondem na Belo Horizonte ou como a Bodeguita del Medío em Havana. Até então nem sinal de tango. Todo mundo muito espremido. 90% homem, fazendo parecer um jogo de futebol – álias passava um jogo na tv. Mas eis que chega o cantante acompanhado de um homem e seu violao. E foi assim que se fez a noite. O senhor de uns 60 anos soltou um tango de esmagar o coração. Lindo. Emocionante e mais tudo que não sou capaz de descrever agora. Não se ouvia um respiro do público. Hipnotizados ficamos. Todos, eu disse todos, estavam com caras de contemplação. Cada milonga mais maravilhosa que a outra, entoada da forma mais pura e sincera que já vi. Quando ele cantou Por una cabeza todo mundo cantou junto…sussurando. Eu volto lá toda quinta-feira sem o menor problema. Praticamente decidí que lá será meu porto musical aqui. Uma cerveja mais e fechamos a conta.
Agora sete dias completos aqui. A melancolia chega. Pensando: O que estou fazendo aqui? Vejo um e-mail sobre as coisas mais lindas que minha mãe escreve, meu irmão contando as novidades...lembro que esse é mais um dia de muitos que hão de chegar. Me despeço mais uma vez. Giovana voltou para o Brasil e volto a ser minha companhia mais constante. Desci para conversar com Pablo, ou Pablito, agora. Falamos sobre saudade – tenho ensinado muito essa palavra aqui, realmente a palavra mais linda que temos. Converso muito com os meninos que trabalham no hostel, são as pessoas mais próximas que tenho aqui e o carinho é de amigo, familia mesmo. Falamos de música, Brasil, Argentina e vida. Um beijo no rosto de bom dia ou boa noite. Hoje pela manhã, Pablito estendeu a mão e me deu o ombro. “Quando se sentir sozinha, venha para cá e não se sentirá mais. Estamos aqui sempre.” Do sentimento pulsante quase cortante, fez-se o alento, todo o carinho.
Voltando...antes de Giovana ir embora..
A noite, fui ao lugar, talvez o mais legal daqui até agora. Boliche de Roberto. Fica no bairro de Almagro, un poquito lejo de onde estou vivendo. Mas valeu cada minuto da espera do ônibus. As companhias eram Giovana e Mike, o autraliano, músico. Aceitaram a minha sugestão que foi dada na verdade por meu irmão e lá fomos. Uma observação: dentro do ônibus, eu achando que estava falando como uma porteña, um grupo de amigos que estavam tocando dentro do coletivo, começaram a cantar Garata de Ipanema...e me dedicaram. hahaha...meu português era obvio. O Boliche do Roberto. Um lugar muito pequeno, cheio de gente, umas três ou quatro mesas e um mini palco. Prateleiras até o teto já bem velhas, hospedam garrafas mais antigas ainda, empoeiradas. Desde o príncipio um lugar familiar para mim – cara de bar mesmo, desses que escondem na Belo Horizonte ou como a Bodeguita del Medío em Havana. Até então nem sinal de tango. Todo mundo muito espremido. 90% homem, fazendo parecer um jogo de futebol – álias passava um jogo na tv. Mas eis que chega o cantante acompanhado de um homem e seu violao. E foi assim que se fez a noite. O senhor de uns 60 anos soltou um tango de esmagar o coração. Lindo. Emocionante e mais tudo que não sou capaz de descrever agora. Não se ouvia um respiro do público. Hipnotizados ficamos. Todos, eu disse todos, estavam com caras de contemplação. Cada milonga mais maravilhosa que a outra, entoada da forma mais pura e sincera que já vi. Quando ele cantou Por una cabeza todo mundo cantou junto…sussurando. Eu volto lá toda quinta-feira sem o menor problema. Praticamente decidí que lá será meu porto musical aqui. Uma cerveja mais e fechamos a conta.
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